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JUN
22
22 JUN 2021
MEMÓRIA PEDERNEIRAS: Praça da Vitória em homenagem aos pracinhas de Pederneiras e região

MEMÓRIA PEDERNEIRAS: PRAÇA DA VITÓRIA EM HOMENAGEM AOS PRACINHAS DE PEDERNEIRAS E REGIÃO

No último sábado, dia 19, a Prefeitura de Pederneiras realizou a entrega da revitalização da “Praça da Vitória”, localizada ao lado do prédio do Paço Municipal. Ela recebeu essa denominação porque foi construída para homenagear os Pracinhas oriundos de Pederneiras e Macatuba que lutaram na Itália pela FEB (Força Expedicionária Brasileira), na Segunda Guerra Mundial.

Mas o que existia nesse lugar antes de se tornar uma praça? Havia um prédio público, a Câmara Municipal de Pederneiras, que foi demolido em 1939.

Na praça encontra-se a placa com os nomes dos Pracinhas homenageados. São eles: Alberto Clementino Moreira, Alberto Herrera, Antonio Silva, Dorival S. Silva, Inácio L. Silva, José Wolpe, Nelson Artioli e Ramis Cury. A praça foi projetada para lembrar a medalha entregue aos Expedicionários pela FEB, ou seja, seu traçado remete ao formato da mesma.

Pesquisa realizada pela historiadora da Prefeitura, Anna Carolina Fonseca com base nas informações da Família Clementino Moreira e da Família Artioli, com fotos atuais feitas pelos jornalistas Allan Razuk e Maria da Glória Batista.



Nova placa fixada depois da revitalização
 

ALBERTO CLEMENTINO MOREIRA
Alberto foi convocado e participou como 3º sargento nas operações do Exército Brasileiro na FEB (Força Expedicionária Brasileira) na 2ª Guerra Mundial com base e operações na Itália (1943 à 1945), embarcando em 22/09/1944 e retornando em 17/09/1945, no 11º Regimento de Infantária (RI). Alberto era graduado em Educação Física e Direito, além de ter sido vereador e presidente da Câmara Municipal de 1956 a 1959, e reeleito vereador de 1960 a 1963.









Desenho em traçados de lápis tendo como modelo uma foto de Alberto


Quadro trazido de uma igreja italiana demolida depois do bombardeio





Carta enviada por Alberto durante a guerra



Carta enviada por Alberto durante a guerra


Carta enviada por Alberto durante a guerra



Relógio trazido da Itália depois de seu retorno


Relógio trazido da Itália depois de seu retorno


Relógio trazido da Itália depois de seu retorno


Relógio trazido da Itália depois de seu retorno




Livro de registro de Alberto C. Moreira na FEB



NELSON “NELSINHO” ARTIOLI
Os filhos de Nelson Artioli guardam com dedicação os objetos que foram trazidos da Itália pelo seu pai. Se recordam das histórias contadas por ele, do frio que passou durante a guerra na Itália e as dificuldades enfrentadas. Relatava que na época, o treinamento que recebeu do exército brasileiro era do método francês, já ultrapassado. Tiveram que se submeter a um novo treinamento mais moderno, utilizado pelas tropas norte-americanas. Nelson Artioli foi homenageado com medalha pela Câmara Municipal de Macatuba. No verso da mesma está escrito: “Homenagem do Povo ao Ex-Combatente de 1945 – Macatuba – 23/05/1982”. Foi também homenageado pelo Rotary Club de Macatuba, com o diploma de Honra ao Mérito.


















Tela trazida da Itália e enquadrada no Brasil


Uniforme dos combatentes





Homenagem do Rotary Club de Macatuba






Interior da carta enviada por Nelsinho durante a guerra


Exterior da carta enviada por Nelsinho durante a guerra



Uma história esquecida sobre brasileiros que lutaram na Itália

 

Pouco conhecida é a participação do Brasil no maior conflito bélico do século XX, que envolveu nações dos cinco continentes e assistiu a combates se desenrolando de norte a sul e de leste a oeste do globo terrestre. Combatendo nas areias do Saara, nas gélidas águas do Atlântico Norte, nas paradisíacas praias do Pacífico, ou nas paisagens europeias tão conhecidas, a guerra estendeu-se de 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia por forças nazistas, iniciando-se como mais um conflito tipicamente europeu, alcançando em pouco tempo a África, Ásia e por fim as Américas; findando apenas em agosto de 1945 após dois bombardeios atômicos contra cidades japonesas.

Muito é sabido dos atos heroicos dos principais e mais conhecidos países envolvidos nesse conflito. Porém, enquanto glorificamos os feitos históricos de outros países, esquecemos nossa própria participação naquele conflito, a qual não se limitou apenas a acompanhar os fatos enquanto oscilávamos entre Berlim ou Washington e muito menos nos aliamos aos Estados Unidos em troca de uma siderúrgica ou por mera pressão destes. A participação brasileira na guerra foi voluntária, resultado dos interesses nacionais (industrialização) e conveniências políticas e ainda, contou com pleno apoio da população a partir do momento em que a agressão do Eixo contra a frota mercante nacional atingiu seu ápice em meados de agosto de 1942, vitimando mais de 500 brasileiros, mortos em decorrência do torpedeamento de seis navios que serviam à navegação de cabotagem, trafegando a poucas milhas da costa e realizando a ligação entre as regiões sul/sudeste e o nordeste, consistindo na única ligação entre os extremos do Brasil.

Não podemos deixar de dizer que o Brasil estava vivendo sob o regime totalitário de Getúlio Vargas, o Estado Novo, em fins de 1937. Regime de caráter fascista, era claramente simpático aos ideais da Alemanha Nazista. Entre tantos fatos que comprovam essa simpatia, está a deportação da judia Olga Benário Prestes, na ocasião grávida, para ser executada nos campos de concentração Alemães.

No começo de 1941, o Brasil passou a assumir uma postura cada vez mais favorável aos norte-americanos, devido aos já mencionados torpedeamentos de navios brasileiros. Enquanto a Alemanha declarava guerra aos EUA nos dias finais do ano de 1941, unidades de patrulha e soldados estadunidenses chegavam ao Brasil e daqui operaram com pleno consentimento do governo.

Em resultado aos ataques realizados na costa brasileira, os quais mobilizaram a população que saiu às ruas em protesto, finalmente o Brasil oficializava sua entrada na guerra. Participando do esforço de defesa do saliente nordeste do Brasil, patrulhando o Atlântico Sul em busca aos submarinos inimigos e prestando segurança aos mercantes que levavam importantes recursos para suprir o esforço de guerra aliado, as forças armadas brasileiras lutavam para aprenderem as novas técnicas de combate, bem como se modernizavam com material de procedência norte-americana que chegavam cada vez mais em quantidade. Logo a recém-criada Força Aérea Brasileira estava voando caças P.40, bombardeiros B.25 e aeronaves de patrulha Ventura e Catalina; o Exército Brasileiro recebia carros de combate, peças de artilharia e diversos veículos; e a Marinha do Brasil passaria a operar navios de guerra submarina.

Com o avanço da guerra, houve a necessidade no aumento do contingente de soldados. Com apoio americano, a partir de 1943, houve uma seleção e preparo de uma força brasileira que tomaria lugar no front do Mediterrâneo. Mais do que a manutenção do fluxo de material bélico para o Exército, o envio desta força representou o aprendizado de novas técnicas de combate e ainda, marcou na memória dos italianos a presença dos brasileiros na luta contra o nazi-facismo.

Em fins de 1944, chegou à Itália o primeiro escalão, de um total de cinco que somaram 25 mil expedicionários brasileiros, que tinham como missão romper a “Linha Gótica”, que se constituía na última defesa nazista na Itália antes de se entrar em território alemão. Para aqueles que julgaram ser mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil ir à guerra, não tardou para que os brasileiros entrassem em ação obtendo seu batismo de fogo libertando as cidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano, tendo a seguir combatido nos Apeninos e sofrido com os rigores do inverno. Apesar da inexperiência e dificuldades, cumpriram com cada missão que lhes foram atribuídas como unidade integrante do IV Corpo do V Exército norte-americano, atuando através da Linha Gótica e Apeninos.

Em Monte Castello, os “pracinhas” (como eram chamados os soldados brasileiros) enfrentaram mais do que as “lurdinhas” dos “tedescos” (como eram chamadas as metralhadoras MG.42 e os alemães, respectivamente), uma vez que o inverno veio com rigor. As três tentativas de se tomar a posição alemã em Monte Castello, realizadas em dezembro de 1944, fracassaram. Porém, com o fim do rígido inverno, os brasileiros mais uma vez tentaram o feito, o que foi conseguido em fevereiro.

Embora a tomada de Monte Castello seja a mais conhecida das ações realizadas pelos brasileiros na Segunda Guerra Mundial, houve outros momentos de glória para os expedicionários brasileiros, em especial durante a ofensiva da primavera de 1945, a última grande operação aliada na Itália.

              

Breve balanço da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial

Desde o dia 2 de julho de 1944, quando o primeiro escalão da FEB seguiu em direção à Itália, os expedicionários brasileiros combateram durante sete meses e dezenove dias na Itália, tendo iniciado sua campanha em 16 de setembro.

A campanha brasileira na Itália concluiu-se a 2 de maio de 1945, quando foi declarado o cessar fogo no front italiano. De um total de 25.445 soldados enviados ao front, o Brasil contabilizou 443 baixas e cerca de 3.000 feridos. Sobre a composição da tropa, que consistiu em uma Divisão de Infantaria Expedicionária, 98% dos oficiais eram militares de carreira, enquanto entre os Praças, 49% eram civis que foram recrutados para a luta.

As unidades integrantes da Divisão de Infantaria Expedicionária foram:

•       1º Regimento de Infantaria (Sampaio) – RJ (152 baixas)

•       6º Regimento de Infantaria, Caçapava – SP (109 baixas)

•       11º Regimento de Infantaria, São João del-Rei – MG (134 baixas)

•       4 grupos de artilharia

•       9º Batalhão de Engenharia, Aquidauana – MT

•       1 Esquadrão de Reconhecimento (cavalaria)

•       1º Batalhão de Saúde, organizado em Valença

•       Tropas especiais, corpos auxiliares e 67 enfermeiras.

Com o fim da guerra na Europa, os expedicionários brasileiros foram convidados a comporem uma força de ocupação na Áustria, convite prontamente recusado pelo Governo Vargas, que se empenhou em trazer de volta e desmobilizar o mais rapidamente possível a FEB, ofuscando os feitos desta no combate a regimes totalitaristas com os quais seu governo guardava muitas semelhanças. Mesmo com o pronto restabelecimento da democracia, mediante eleições presidenciais no final de 1945, os feitos da FEB na guerra foram sendo esquecidos e hoje, muito pouco se conhece sobre as batalhas de Monte Castello, Castelnuovo, Montese, Camaiore, e tantas outras regiões da Itália libertas pelos soldados brasileiros. Infelizmente, enquanto nossos veteranos tem total reconhecimento e gratidão da população italiana, aqui no Brasil continuamos ignorando seus feitos.

http://www.portalfeb.com.br/armamento/feb-do-inicio-ao-fim/

Texto baseado no artigo escrito por Anderson Luiz Salafia, Licenciado em História pela UNISA.

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