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NOV
30
30 NOV 2021
MEMÓRIA PEDERNEIRAS: ARTE CEMITERIAL
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MEMÓRIA PEDERNEIRAS:
ARTE CEMITERIAL

 

           As pessoas que frequentaram o Cemitério Municipal de Pederneiras no último Dia de Finados (02), puderam observar a nova pintura do Cruzeiro e do Necrotério, além da limpeza e pintura das sarjetas. A funcionária Fabiana Tozato Escola acompanhou dia a dia essas melhorias e me sugeriu uma pesquisa sobre as curiosidades do cemitério. Me lembrei das visitas noturnas realizadas no cemitério de Jaú para contemplar a arte cemiterial e também realizar contação de histórias. Essa prática começou com o saudoso historiador Julio Cesar Polli e foi continuada pelo arqueólogo Fábio Grossi dos Santos. Não posso deixar de mencionar também que várias pesquisas universitárias já foram realizadas em todo o Brasil abordando a arte cemiterial em diversas épocas e os “santos de cemitérios” tradicionais em nossa cultura popular.

          Inspirada pela sugestão da Fabiana, convidei a professora de educação artística Eunice Maria Furlani Nicolielo e sua colega de faculdade e artista plástica, Wanda Ferreira Cardim, para realizar uma breve pesquisa artística tumular no cemitério municipal.

          Segundo a Dra. Clarisse Ismério, “os cemitérios são museus a céu aberto devido à riqueza de seu acervo e são provas concretas da opulência econômica e política das cidades. Mas não podemos ignorar que são excelentes instrumentos de educação patrimonial e instrumento de alfabetização cultural, na medida em que possibilita a reconstituição do conhecimento e a apropriação dos valores e significados”. Depois dessa pesquisa, passei a ver os túmulos do Cemitério Municipal como verdadeiras obras de arte e que possuem muitas curiosidades.

          O atual cemitério municipal foi inaugurado em 1905. Em 1959, o ex-prefeito Michel Neme iniciou o calçamento e remodelação do mesmo e em 1967 ordenou a construção da entrada principal, mais calçamento, arborização e modelação da praça fronteiriça. A estátua que está na entrada da capela foi doada pela família de Michel Neme. Já em 1982, o ex-prefeito Waldomiro Fernandes Mateus ampliou a área do cemitério, construiu o cruzeiro, fez muramentos e outras melhorias.

          Para entender os detalhes artísticos, Eunice montou um roteiro resumido das principais características artísticas. São elas:

Românica

•       Construções sólidas, pesadas, arrimo de apoio lateral

•       Figura de Cristo sempre maiores que as demais

•       Construção em formato de cruz

•       Arco pleno

•       Arcos e abóbadas com a Pedra Angular

•       Às vezes, há rosáceas sobre a porta principal

Renascentista

•       Fachada terminando em triângulo

•       Realismo: estudo preciso da anatomia


Escultura Renascentista - Cristo Ressuscitado em bronze

Barroco

•       Coluna com capitel decorado

•       Curvas e contornos

•       Uso de ornatos, tal como a talha (ornato entalhado em pedra) no entorno e sobre as portas

•       Linhas em formato de conchas


 

Egípcia

•       Imitação da casa dos vivos

•       As vezes imitação de suas residências com estatuetas, vasos e mobília


 

Árabe

•       Arco em forma de ferradura; 3 arcos



Gótico

•       Muitas colunetas

•       Arco em Ogiva (flecha)

•       Rosácea

•       Torres pontiagudas, buscando os céus para falar com Deus

•       Florais – elementos decorativos em forma de flor esculpida em pedra

•       Vitrais

•       Verticalidade nas construções


Art Nouveau

•       Uso do ferro, balaústre, corrimão, vitrais, janelas e portões, tudo em ferro trabalhando com flores ou frutos como elemento decorativo

•       Guirlanda


Estela

•       Placa de identificação com o nome dos falecidos


Simbologia

Anjos – cuidam das almas; com o dedo apontado para o céu significa que o falecido era uma pessoa boa e que ela vai direto para o paraíso

Guirlanda – triunfo da vida sobre a morte

Cruz – intersecção do plano material com o transcendental em seus eixos perpendiculares

Vaso – vazio; o corpo separado da alma

Globo – remete à utilização e fim do tempo de vida terrestre

Flores, frutos e folhas – vitória da alma humana sobre o pecado e a morte

Crisântemos – margaridas dos mortos; nascemos, vivemos e morremos

Coroa de flores – é a concretização do círculo da vida até a morte

Chama acesa – imortalidade



Estilo Modernista - pastilhas refrescam e higienizam o ambiente 



Estilo Modernista - pastilhas refrescam o ambiente e higienizam


Escultura Renascentista - Cristo Ressuscitado em bronze



Dois dos mais antigos túmulos do cemitério. Não possuem carneira. É tipo catacumba e o corpo é coberto por um arco de tijolos presos com uma pedra angular. Estilo Barroco.



Aqui é possível observar a abóbada da catacumba. Os tijolos foram assentados com mistura de barro, palha e açúcar ou garapa


Detalhe do estilo Barroco. Possui estela de identificação


Estilo Barroco


Estilo Barroco



Estilo Barroco pois possui coluna, anjo, cruz e arco pleno


Possui estilo barroco, com anjo, coluna e capitel. Vaso grego


Túmulo de Eliazar Rodrigues Braga - possui anjo, coluna e capitel Barroco, mas o vaso é grego. Feito em mármore de Carrara


Estilo eclético, com dominância do Barroco.



Mesmo sendo em ladrilho, possui painel Renascentista.



Capela Neoclássica, portal central com 2 colunas barrocas com capitel decorado.



Estilo Art Nouveau - possui guirlanda e gradil.




Estilo Art Nouveau pois possui gradil



Feito em mármore, possui estilo eclético pois mistura o romano e o barroco.




Estilo Renascentista, mas com porta estilo Gótico.



Túmulo do fotógrafo Artêmio Mordachini. Estrutura em estilo Românico e teto em estilo Gótico.




Estilo eclético pois mescla o Gótico com Renascimento.



Estilo Gótico perfeito, sempre tentando alcançar os céus.



Estilo gótico pois possui arco pleno, feito em mármore e figuras em bronze monumentais.



Estilo Gótico



Estilo Gótico




Necrotério 



Pedra localizada ao lado do necrotério e que antigamente era utilizada para autópsias.



Telhado Renascentista e porta Gótica, imitação de Igreja.




Na antiga tradição presbiteriana, os caixões eram colocados diretamente na terra.



Obelisco em mármore ofertado pela comunidade Italiana de Pederneiras para homenagear os ex-combatentes da Primeira Guerra Mundial.



Túmulo da Senhorinha dos Passos. Algumas pessoas acreditam ser milagrosa. (Santa de Cemitério)



Estilo Modernista, inspirado em Oscar Niemeyer, principalmente as curvas. Obelisco buscando o céu.



Estela escrita com letra manuscrita. Transmite sensação de acolhimento.



Estilo Egípcio - imitação da casa dos vivos.



Estilo Egípcio pois imita a casa dos vivos, buscando o conforto da alma do falecido.




Os anjos cuidam das almas. O dedo apontado para o céu significa que o falecido era uma pessoa boa e que ela irá direto para o paraíso. Cruz é a interseção do plano material com o transcendental.





Estilo Moderno, com alegoria de uma praça. No centro um globo (remete a utilização e fim do tempo de vida terrestre). A cruz é o plano material com o transcendental em seus eixos perperndiculares.

Fontes:

Eunice Maria Furlani Nicolielo – Professora

Wanda Ferreira Cardim – Artista Plástica

Maria da Glória Batista – fotografias

Um outro olhar sobre os cemitérios: refletindo à arte cemiterial sob a perspectiva das pesquisas, ações, passeios e eventos culturais. Dra. Clarisse Ismério. Revista de Teoria da História, Volume 18, número 2, Dezembro de 2017. Universidade Federal de Goiás.



 

Memória Pederneiras

Recordar é valorizar a história de nossa cidade. O quadro Memória Pederneiras aborda todo mês uma personalidade, prédio, evento, entre outros, que aconteceu em nossa cidade para resgatar e estimular a cultura histórica de Pederneiras.

Com pesquisa elaborada pela historiadora Anna Carolina Fonseca, todo mês o quadro MEMÓRIA PEDERNEIRAS aborda uma personalidade, prédio, evento, entre outros, que aconteceu em nossa cidade para resgatar e estimular a cultura histórica de Pederneiras.

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