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::.  Hidrovia: Tietê - Paraná 
     



O Rio Tietê que corta a cidade de São Paulo parece não ser o mesmo quando chega ao interior. Lá, poluído e estéril; aqui mostra-se de extrema beleza e vivacidade, servindo tanto para pesca, lazer e sobrevivência , como para esporte e transporte. Sua largura é espantosa e o volume de suas águas é enorme.

Banhando uma extensão aproximada de 800Km2, abriga paisagens e outros recursos energéticos que contribuem para os pólos industriais do país e o desenvolvimento do turismo, do lazer e da cultura.

Ao longo do rio, há 220 municípios, com aproximadamente 4 milhões de habitantes. Foram construídas 6 barragens ao longo de seu percurso, facilitando a locomoção de embarcações através das eclusas, que também geram 25 milhões de Kw de energia elétrica. Em todo seu percurso podem-se identificar 18 pólos regionais turísticos com infra-estrutura de qualidade.



Principais Terminais de Montante da Hidrovia


As cargas do Rio Paraná serão grãos transportados principalmente no sentido norte-sul, visando atender às necessidades do Estado dp Paraná, além da carga geral (Mercosul) e madeira para abastecer as fábricas de papel e celulose, como a Champion, que estará operando em Mato Grosso do Sul, região que tem condições de receber mais duas indústrias deste porte.

A Hidrovia Tietê-Paraná em São Paulo irá dispor de três conjuntos de entroncamentos multimodais de importância: Pederneiras/Jaú, Conchas/Anhembi e Santa Maria da Serra/Artemis (Piracicaba), o primeiro e o último conectados à ferrovia que se destina à cidade de São Paulo e ao Porto Exportador de Santos.

O transporte ferroviário e hidroviário, no Brasil, não são considerados de tanta importância como o rodoviário, diferenciando-se assim da Europa. Isto se deve a políticas adotadas no passado que não se preocupavam com o consumo de combustível. Hoje, a situação é outra, embora ainda haja falta de integração da hidrovia e ferrovia.

Ao longo do Rio Paraná, a hidrovia terá conexão ferroviária em Santa Fé do Sul/Aparecida do Taboado, Três Lagoas, Presidente Epitácio, Panorama, Rosana, além de Cianorte, Guaíra e Foz do Iguaçu no Estado do Paraná.


Ferrovias na área Hidroviária


Apesar disso, a luta pela criação da Hidrovia no Brasil vem acontecendo há tempos, isto é, a partir da década de 40, baseada no projeto do engenheiro Catullo Branco. Também a CESP, que, por delegação do Governo do Estado, é a administradora da Hidrovia, desde sua implantação (1966) está intimamente ligada ao seu desenvolvimento e sucesso, com uma área de influência que engloba o complexo hidroviário Tietê-Paraná-Paraguai-Uruguai, com cerca de 3 milhões de Km, praticamente 4 vezes o território da França. A meta era atingir 2.400 Km navegáveis e transportar uma média anual de 10 milhões de toneladas de produtos agroindustriais até 1995.

O maior impulso veio em 1977, quando a CESP implantou a "Hidrovia do Álcool". Os recursos do projeto foram aumentando até chegarem nos 1.040 Km navegáveis, iniciando no reservatório de Barra Bonita (SP) e atingindo a cidade de São Simão (GO). Há toda uma infra-estrutura aliada a novos investimentos procurando dar apoio ao turismo fluvial, abrindo um leque de opções internacionais como compras no Paraguai e Argentina.


Os números da Hidrovia encerram previsões generosas depois de transportar em 92 mais de 2 milhões de toneladas de grãos, álcool, cana-de-açúcar, calcário e outros produtos. com uma área de influência de 76 milhões de hectares e a expectativa de gerar 50 e 60 mil novos empregos. Projeta-se para o ano 2010 o início do Processo de saturação da Hidrovia Tietê, ou 20 milhões de toneladas transportadas, sendo quase 25% deste total representado por carga regional ou de menor percurso, como cana-de-açucar e materiais de contrução, principalmente areia e cascalho.


Usina de Açúcar e Álcool que já se utiliza do transporte fluvial 
Foto:  Acervo Biblioteca Municipal


A grandeza do projeto aumenta com a intenção da ligação com o Tramo Sul hidrovia, que tem 1.380 Km navegáveis através do Rio Paraná, o que tornará possível o escoamento de cargas até outros países do Mercosul e vice-versa, considerando que os rios Tietê e Paraná são as principais portas para o Mercosul e a CESP tem contribuído para isso, agilizando o término de eclusas e desenvolvendo programas junto ao empresariado no sentido de mostrar as oportunidades que a "Hidrovia do Mercosul" propiciará nos ramos do turismo e da indústria e comércio. Isto colocará em estreito relacionamento as regiões do interior de São Paulo, do Paraguai e Argentina. Também há interesse do Paraguai em utilizar o transporte fluvial para transportar mercadorias via Santos. Para atender a essa demanda, serão interligadas as unidades alfandegárias nos terminais de Pederneiras e Conchas, no Rio Tietê, onde as mercadorias paraguaias serão transbordadas para os trens da Fepasa ou vice-versa.




Vista aérea Porto Intermodal  e  Comercial Quintela
Fotos:  Acervo Biblioteca Municipal

A intenção do governo paulista é obter da iniciativa privada o maior interesse pela hidrovia e fazer dela parceira nos investimentos. Vêm acontecendo contatos com o BNDES e uma das medidas que podem ser aprovadas é a concessão de financiamentos com juros, subsidiados como forma de incentivo. Um exemplo de parceria em Pederneiras é o Terminal Intermodal. Com o acesso ferroviário feito pela Fepasa, o cais desenvolvido pela CESP e os mecanismos de transbordo da Comercial Quintella, o Terminal tem capacidade nos seus 5,5 alqueires de área instalada para um transbordo anual de 1,2 milhão de tonelada de soja, farelo e milho. E tem ainda 2 silos com capacidade de 4,6 mil toneladas cada e um armazém que comporta até 5.000 toneladas de grãos.


Vista aérea Comercial Quintela - Entroncamento:  Hidrovia, Ferrovia e Rodovia


As vantagens de se usar a hidrovia como meio de transporte são bem visíveis: para cada tonelada de soja transportada, gastam-se 8 dólares na hidrovia, 16 dólares na ferrovia e cerca de 30 na rodovia. Essas medidas valem para, praticamente, todos os produtos. Além disso, as embarcações não têm, como nas rodovias, a mesma freqüência de acidentes e desgastes.


Comboio de Transporte de Grãos
Foto:  Acervo Blioteca Municipal


Chatas ancouradas à margem da 
Comercial Quintela
Foto:  Acervo Biblioteca Municipal


Dentre os produtos transportados pela hidrovia (soja, álcool, calcário, farelo, milho etc) a soja é a carga mais promissora e pode chegar a 30% do volume total da navegação fluvial. Os números da redução de custos são confidenciais das empresas, mas sabe-se que o transporte de soja de São Simão a Pederneiras teve abatimento de frete da ordem de 10 a 15 dólares por tonelada. No caso do açúcar e do álcool, o preço de produção no Brasil é o menor do mundo, mas até chegar ao mercado internacional muito competitivo, enfrenta-se a deficiência de infra-estrutura do transporte, que atrasa a distribuição e onera os custos. Hoje, São Paulo - maior produtor de açúcar do país - produz açúcar na entressafra e tem que ter alternativas de transporte interno ágil e de menor custo.

A hidrovia está disciplinada por normas da Marinha do Brasil e a CESP procura aprimorá-las à medida que o tráfego vem crescendo. A obra de Jupiá é o último elo para a efetiva integração do Mercosul. 

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